O jejum é uma prática antiga e significativa na fé católica, especialmente durante a Quaresma. Não se trata apenas de abster-se de alimentos, mas de um exercício espiritual que visa aproximar a fidelidade de Deus, fortalecendo a oração e a caridade. Porém, muitas pessoas têm dúvidas sobre como jejuar de forma correta conforme os ensinamentos da Igreja.
“Jejum não é dieta e nem economia de alimentos. Muito pelo contrário! E é até bom fazer jejum e economizar, ainda mais com os preços dos mercados. Mas o sentido está em, aquilo que irei me abster, comprar e doar para as famílias que não tem, para instituições e, assim, fazer com que o que eu tenho em excesso, possa alimentar e dar conforto para outras pessoas”, diz o arcebispo metropolitano, dom Mário Antonio.
O jejum, na tradição católica, não é um fim em si mesmo, mas um meio de conversão. Ele registra os 40 dias que Jesus passou no deserto em oração e jejum (Mt 4, 1-11). A prática busca fortalecer a vontade, dominar os desejos desordenados e abrir o coração para a vontade de Deus.
“Devemos rasgar o nosso coração. Esse é o momento propício para nos abrir e deixar que a verdadeira conversão aconteça”, destaca o arcebispo.
Além disso, o jejum deve ser associado à caridade e à oração, como lembrou o Papa Francisco em vários benefícios: “Jejuar significa fazer-se pobre com os pobres e acumular a riqueza do amor partilhado”. De acordo com o Código de Direito Canônico (cân. 1251-1252), a obrigatoriedade do jejum aplica-se aos católicos de 18 a 59 anos, enquanto a abstinência de carne deve ser observada a partir dos 14 anos. As abordagens não incluem pessoas doentes, grávidas ou com condições especiais de saúde, elas podem e devem adaptar a prática conforme suas possibilidades.
O jejum é especialmente recomendado na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, além das sextas-feiras da Quaresma, quando se pratica a abstinência de carne. Contudo, a Igreja incentiva que os fiéis adotem essa prática em outros momentos como sinal de penitência e preparação espiritual.
“Fazer jejum não é passar fome. Não é isso! Claro que a mortificação produz belíssimos frutos. Porém, temos que ter a consciência de que o alimento é dominado por nós e não o contrário”, deixa claro na explicação, Dom Mário.
O jejum consiste em fazer apenas uma refeição completa no dia, podendo consumir algo leve nas outras duas, conforme a tradição da Igreja. É importante que essa prática seja acompanhada de oração e gestos de caridade, evitando que se transforme em mero formalismo ou dieta.
Sugestões práticas para jejuar:
- Alimente-se de forma simples: evite pratos elaborados, doces ou bebidas alcoólicas.
- Dedique mais tempo à oração: o tempo economizado com refeições pode ser usado para meditar, ler a Bíblia ou rezar o terço.
- Pratique a caridade: faça alimentos, dinheiro ou seu tempo para os necessitados.
- Evite distrações: reduza o uso de redes sociais, televisão e outras formas de entretenimento.
A Igreja também incentiva formas de jejum que vão além da alimentação, como abster-se de redes sociais, música ou outras práticas que ocupam muito tempo e distraem a vida espiritual. Esse tipo de jejum pode ajudar a colocar Deus no centro da vida cotidiana.
Como recorda a Igreja, o jejum verdadeiro não se mede apenas pelo sacrifício físico, mas pelo amor com que se oferece esse sacrifício a Deus e aos irmãos. Assim, jejuar é, sobretudo, um ato de amor, uma forma concreta de crescer na fé e preparar o coração para a Ressurreição de Cristo.