Irmãos e irmãs,
A Palavra que acabamos de ouvir, do Evangelho segundo Evangelho de João (Jo 10,1-10), ilumina profundamente este momento de ação de graças e de despedida. Não é uma despedida qualquer: é um tempo de reconhecer a presença fiel de Deus ao longo destes quatro anos de missão na Arquidiocese de Cuiabá, e de renovar a certeza de que a Igreja não pertence a um pastor humano, mas ao próprio Cristo.
Jesus se apresenta com uma imagem forte e consoladora: “Eu sou a porta das ovelhas”. Não diz apenas que é o pastor, mas que é a porta. Ou seja, Ele é o caminho seguro, o acesso à vida, o critério de autenticidade de toda missão. Quem entra por Ele encontra salvação, liberdade e pastagem.
Neste momento, a Palavra nos ajuda a compreender três atitudes fundamentais.
- Gratidão pelo caminho vivido
Durante estes quatro anos, o ministério episcopal foi exercido como serviço: anunciar, santificar e conduzir. Houve encontros, desafios, alegrias e também cruzes. Mas, acima de tudo, houve a graça de caminhar com um povo concreto: um povo acolhedor, de fé simples e profunda, um povo que sabe escutar a voz do Pastor.
Hoje, a ação de graças não é por conquistas humanas, mas pela fidelidade de Deus. Porque, mesmo com limites, o Senhor conduziu seu rebanho. E se algo de bom foi realizado, foi porque as ovelhas reconheceram a voz de Cristo.
- Cristo é o Pastor único que permanece
A despedida de um bispo pode tocar o coração, mas não pode abalar a fé. Porque a Igreja não fica órfã. Como nos recorda o Evangelho, há muitos que exercem o pastoreio, mas um só é o Pastor verdadeiro: Jesus Cristo.
O bispo passa, a missão continua. O pastor visível muda, mas o Pastor invisível permanece. Cristo continua chamando cada um pelo nome. Continua caminhando à frente. Continua sendo a porta aberta que ninguém pode fechar.
Por isso, este não é um momento de perda, mas de fé renovada. A Arquidiocese não pertence a quem parte, nem a quem chega: pertence a Cristo, o Senhor Bom Jesus de Cuiabá!
- Permanecer na escuta da voz do Senhor
Jesus diz que as ovelhas conhecem a sua voz e não seguem estranhos. Eis o grande critério para o futuro: permanecer na escuta de Cristo.
Uma Igreja viva não é aquela que depende de uma liderança apenas, mas aquela que reconhece a voz do Senhor na Palavra, nos sacramentos, na comunhão e na caridade.
Seguir Cristo, Porta das ovelhas, significa:
* permanecer na fidelidade ao Evangelho,
* cultivar a unidade,
* e viver a missão com coragem e esperança.
Ao partir, o MEU coração leva gratidão. Gratidão pela acolhida generosa do povo cuiabano, pela beleza desta Igreja viva, pela experiência de comunhão.
Mas também leva uma certeza: não vos deixo, porque Cristo permanece convosco.
E talvez a palavra mais simples e mais verdadeira seja esta: continuem firmes.
* Não percam a fé.
* Não deixem de escutar a voz do Bom Pastor.
* Entrem sempre por Ele, que é a porta.
*E assim, encontrarão vida — e vida em abundância.
E, como é tradição tão bonita deste povo, levo comigo um pedido: não deixem de abençoar o vosso pastor. Porque o pastor também precisa da bênção do rebanho… nós, pastores, precisamos da oração de vocês.
RECORDO AQUI A INTEÇÃO DO PAPA LEÃO XIV para o mês de abril: Rezemos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise na sua vocação, para que encontrem o acompanhamento necessário e para que as comunidades os apoiem com compreensão e oração.
Em sintonia com o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que celebramos neste tempo pascal, acolhemos também a mensagem do Papa Leão XIV para este ano de 2026, que nos convida a redescobrir a vocação como um dom que nasce no interior do coração e floresce no encontro com Deus.
Em síntese, o Santo Padre nos recorda alguns pontos essenciais:
* A vocação é a descoberta da beleza de Cristo: Jesus é o “Bom Pastor belo”, que dá a vida e revela que seguir seu caminho torna a vida verdadeiramente plena e bela. Quem contempla Cristo e permanece com Ele tem a vida transformada.
* Tudo começa na interioridade: é no silêncio, na oração e na escuta da Palavra que se descobre a voz de Deus. A vocação não é imposição, mas um projeto de amor que nasce no mais íntimo da pessoa.
* Vocação é relação e conhecimento de Deus: Deus nos conhece profundamente, e somos chamados a conhecê-Lo também, num encontro pessoal que transforma a vida. Não se trata de teoria, mas de experiência viva.
* A resposta exige confiança: como São José, Nossa Senhora, santos e santas somos chamados a confiar mesmo sem compreender tudo. A vocação amadurece na fé, na entrega e na certeza de que Deus conduz a história.
* É um caminho de crescimento: a vocação não está pronta de uma vez por todas. Ela amadurece no tempo, na fidelidade, na oração, nas relações fraternas e no discernimento.
* Toda a Igreja é responsável pelas vocações: famílias, PARÓQUIAS, comunidades RELIGIOSAS, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores, e fiéis leigos, inclusive seminaristas, convido todos a criarem ambientes onde os chamados de Deus possam ser acolhidos e acompanhados: SAV/PV e pastorais afins.
E, de modo especial, o Papa dirige-se aos jovens: ESCUTAI A VOZ DO SENHOR… “Parai, escutai, confiai, participai…”. Porque só assim é possível descobrir o chamado de Deus e responder com alegria, seja no matrimônio, no sacerdócio, na vida consagrada ou no serviço como leigos.
Assim, neste dia, ao mesmo tempo em que nos despedimos, renovamos a esperança: o Senhor continua chamando. Continua conduzindo. Continua abrindo caminhos. FELIZ É QUEM SEGUE JESUS!!!
Que o Senhor BOM JESUS, O Bom Pastor, conduza esta Igreja, Arquidiocese de Cuiabá, que são vocês.
Que Ele abençoe quem chega.
E que Ele confirme, na esperança, cada um de vocês.
Amém.
NESTE TEMPO PASCAL: CRISTO VIVE! E QUER-TE VIVO!!!