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Peregrinação marca 50 anos do martírio dos Servos de Deus: padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo

No próximo 15 de julho, a Igreja em Mato Grosso voltará seu olhar para Meruri, no município de General Carneiro (MT), onde será celebrado o Cinquentenário do Martírio dos Servos de Deus padre Rodolfo Lunkenbein, SDB, e de Simão Bororo. A data será marcada por uma grande romaria organizada pela Paróquia São João Batista, de Rondonópolis, reunindo fiéis, religiosos, missionários e devotos. Além disso, padres e seminaristas da Arquidiocese de Cuiabá, participarão deste momento histórico que coincide com os 200 anos de Bispado de Cuiabá.

A celebração recorda os acontecimentos de 15 de julho de 1976, quando o missionário salesiano alemão padre Rodolfo Lunkenbein e o líder indígena Simão Bororo foram mortos durante um conflito provocado pela disputa de terras do povo Bororo. Na época, fazendeiros e grupos interessados na ocupação da região tentavam impedir o processo de demarcação do território indígena. Ao defender os direitos do povo Bororo, sua cultura e sua permanência em suas terras tradicionais, padre Rodolfo colocou-se entre os indígenas e os agressores, sendo atingido por disparos. Simão Bororo também foi assassinado enquanto procurava proteger o missionário.

O testemunho de ambos tornou-se um dos maiores símbolos da defesa da dignidade dos povos originários e da opção da Igreja pelos mais vulneráveis. Cinco décadas depois, a memória de seus martírios continua inspirando a missão evangelizadora da Igreja e o compromisso com a justiça, a paz e a promoção da vida.

O reconhecimento da santidade de padre Rodolfo Lunkenbein deu um importante passo em 31 de janeiro de 2024, quando o Dicastério para as Causas dos Santos autorizou a abertura de sua causa de beatificação e canonização. Com isso, o missionário passou a receber oficialmente o título de Servo de Deus, primeira etapa do processo canônico que poderá levá-lo aos altares da Igreja Católica.

A fase diocesana da causa está sendo conduzida pela Diocese de Barra do Garças, responsável por reunir documentos, testemunhos e evidências sobre a vida, as virtudes e o martírio do missionário. O processo também busca demonstrar que sua morte ocorreu “por ódio à fé” (in odium fidei), condição exigida pela Igreja para o reconhecimento oficial do martírio.

Embora o processo canônico tenha sido aberto em nome do padre Rodolfo Lunkenbein, a Igreja preserva de forma inseparável a memória de Simão Bororo, reconhecendo que ambos ofereceram suas vidas na defesa do povo indígena e da missão evangelizadora.

A Romaria Salesiana terá início às 7h, com recepção e café da manhã em Meruri. Às 9h, será celebrada a Santa Missa junto ao túmulo dos mártires, seguida por homenagens e inaugurações às 11h30. O almoço será servido ao meio-dia.

Na viagem de retorno, os peregrinos visitarão a Missão Salesiana de Sangradouro e participarão de um momento de oração na Paróquia São João Batista de Poxoréu, diante do coração do Venerável Átilio Giordani, SSCC.

A celebração dos 50 anos do martírio de padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo convida a Igreja a renovar seu compromisso com o anúncio do Evangelho, a promoção da justiça e a defesa da dignidade humana.

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