Arquidiocese celebra os 200 anos da criação da Diocese de Cuiabá com Missa em Ação de Graças nesta quarta-feira (15), às 18h30, na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus
Na próxima quarta-feira, 15 de julho, a Arquidiocese de Cuiabá celebrará o Bicentenário da criação da Diocese com uma Missa em Ação de Graças, às 18h30, na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus Cuiabá. A celebração reunirá o clero, fiéis, religiosos e religiosas; para esse momento de agradecimento e celebração histórica de dois séculos de caminhada.
Em 15 de julho de 1826, o Papa Leão XII assinou a bula que elevou a então Prelazia de Cuiabá à condição de Diocese. À frente da Igreja local estava o missionário capuchinho Frei José Maria de Macerata, religioso italiano que havia conquistado o carinho da população cuiabana após anos de trabalho missionário entre os indígenas Guaná, na região do Pantanal.
Reconhecido pela dedicação pastoral e pelo espírito missionário, Frei José Maria foi escolhido pelo próprio povo cuiabano para ser seu pastor. Apesar disso, nunca chegou a ser sagrado bispo.
O pedido para sua nomeação episcopal permaneceu durante anos aguardando definição em Roma, em meio às incertezas políticas que marcaram os primeiros anos após a Independência do Brasil. Posteriormente, com o fortalecimento de um sentimento contrário aos estrangeiros na administração do novo Império, Frei José Maria acabou sendo afastado do governo da Diocese justamente por sua origem italiana.
Após quase duas décadas dedicadas ao cuidado espiritual da Igreja em Cuiabá, o missionário faleceu em 1846, sem nunca receber a ordenação episcopal, tornando-se uma das figuras mais singulares da história da Igreja no Centro-Oeste brasileiro.
Outro aspecto pouco conhecido do processo de criação da Diocese de Cuiabá é sua estreita ligação com a consolidação da Independência do Brasil.
A decisão da Santa Sé de criar a Diocese não aconteceu de forma isolada. Ela foi possível porque, meses antes, Roma havia reconhecido oficialmente o Brasil como uma nação independente. O pedido para elevar Cuiabá à condição de Diocese integrou o mesmo conjunto de negociações diplomáticas entre a Santa Sé e o recém-formado Império Brasileiro, fazendo da criação da Diocese parte desse importante momento histórico.
Mesmo criada oficialmente em 1826, a Diocese permaneceu por vários anos sem um bispo efetivamente nomeado e empossado. Foi um período de vacância, coincidentemente, semelhante ao que estamos vivendo nos dias atuais.
Durante esse período, a administração da Igreja foi confiada ao sacerdote cuiabano Padre Antônio Tavares, que assumiu a missão de conduzir a Diocese até a chegada de seu primeiro pastor.
Somente em 1832 foi nomeado e sagrado o primeiro bispo da Diocese de Cuiabá, Dom José Antônio dos Reis, brasileiro. Ele chegou à capital mato-grossense em 1833.
A história registra um episódio carregado de simbolismo: apenas dois dias após a chegada de Dom José Antônio dos Reis, Padre Antônio Tavares faleceu. Para muitos historiadores, foi como se tivesse permanecido firme apenas para entregar a Igreja ao seu novo pastor.
Entre um frade amado pelo povo, que jamais recebeu a ordenação episcopal, e um padre que sustentou a Diocese durante anos de espera, foram lançadas as bases da Igreja Católica em Mato Grosso.
Duzentos anos depois, a Arquidiocese de Cuiabá convida toda a comunidade para celebrar essa história de fé, missão e perseverança na Missa em Ação de Graças pelo Bicentenário da criação da Diocese de Cuiabá, nesta quarta-feira, 15 de julho, às 18h30, na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus, marco da caminhada da Igreja na capital mato-grossense.
MISSA DE AÇÃO DE GRAÇAS
Local:Catedral de Cuiabá
Data: 15/07/2026
Horário: 18h30