Durante a Semana Santa, uma das celebrações mais antigas e ricas em simbolismo da Igreja é o chamado “Ofício de Trevas”. Apesar do nome popularmente ser confundido como “ofício das trevas”, a forma correta é Ofício de Trevas, e essa diferença não é apenas gramatical, mas também profundamente teológica.
O termo “trevas”, neste contexto, não se refere ao mal em si, mas à ausência de luz que simboliza os momentos da Paixão de Cristo — especialmente o sofrimento, a morte e o aparente silêncio de Deus diante da cruz. Trata-se, portanto, de uma celebração que convida os fiéis à meditação e à contemplação dos mistérios mais profundos vividos por Jesus.
O Ofício de Trevas tem origem na Liturgia das Horas, oração oficial da Igreja, e tradicionalmente é celebrado nas primeiras horas da manhã da Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo. Embora, em muitas comunidades, seja antecipado para a noite anterior, favorecendo a participação dos fiéis, como de costume na Arquidiocese de Cuiabá.
Um dos elementos mais marcantes dessa celebração é o uso do tenebrário, um candelabro triangular com várias velas acesas. Ao longo do ofício, que inclui salmos, leituras e cânticos, como as tradicionais Lamentações, as velas vão sendo apagadas uma a uma. Esse gesto simbólico representa o abandono progressivo de Cristo: a negação, a traição, a fuga dos discípulos e, por fim, sua morte na cruz.
Ao término, permanece acesa apenas uma vela, geralmente escondida, simbolizando que, mesmo diante da escuridão da morte, a luz de Cristo não se apaga definitivamente. Em seguida, costuma-se produzir um forte ruído, conhecido como strepitus, que recorda o terremoto narrado nos Evangelhos após a morte de Jesus, reforçando o clima de comoção e mistério. Em algumas comunidades o uso das matracas é inserido, assim como na procissão do Senhor Morto, ato de fé pública da Sexta-feira Santa.
Mais do que um rito antigo, o Ofício de Trevas é uma profunda experiência espiritual. Ele convida os fiéis ao silêncio interior, à reflexão sobre o sofrimento humano e à esperança que nasce mesmo nas situações mais obscuras. Assim, ao compreender corretamente que se trata do Ofício de Trevas, os cristãos são chamados a perceber que não se celebra a escuridão como fim, mas como caminho que conduz à luz da Ressurreição, que será plenamente proclamada na Vigília Pascal.
Ofício de Trevas na Arquidiocese de Cuiabá
Área Pastoral Santíssima Trindade
1º de abril, às 19h30, na Comunidade Nossa Senhora das Dores
Coração Imaculado de Maria
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
Nossa Senhora do Rosárop – Rosário Oeste
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças
1º de abril, às 19h30, na igreja Matriz
Santo Antônio do Leverger
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
Santo Antônio de Pádua – Várzea Grande
1º de abril, às 19h30, na igreja Matriz
São Gonçalo
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
São João Bosco
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
São Sebastião – Nobres
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
São Sebastião – Várzea Grande
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
São Sebastião – 3 Barras
1º de abril, às 19h, na igreja Matriz
São Mateus
1º de abril, às 19h30, na igreja Matriz
Universitária São José Operário
1º de abril, às 20h, na igreja Matriz